
Sem a urgente interferência do Estado para regulamentar a mineração em áreas indígenas, os conflitos podem continuar por muitos anos, muitas vezes com o derramamento de sangue, como ocorreu em 2004, quando garimpeiros foram mortos na reserva Roosevelt, em Rondônia. A constatação é de especialistas no assunto, reunidos na Conferência de Empreendedorismo Indígena nas Américas (Fibea), em Manaus. “O Estado é peça fundamental porque tem meios e conhecimento sobre a mineração sustentável, com uso de tecnologias limpas para serem usadas nas reservas indígenas”, afirmou a consultora em meio ambiente Hariessa Cristina Villas Bôas.
“No Canadá e no Alasca, se o Estado não tomasse a iniciativa de regulamentar e disciplinar a mineração em terras indígenas seriam anos de conflitos que poderiam sim chegar ao sangue, que já chegou ao Brasil”, disse o professor doutor paquistanês Saleem Ali, da Universidade de Vermont, dos Estados Unidos. “Não é uma discussão fácil. Depois da decisão de regulamentar a mineração foram dez anos de discussões até a realização de um referendo entre os indígenas, que decidiram maciçamente pela exploração de minério em suas terras (80% da população, no caso de Voisys Bay, em Labrador, no Canadá)”. Segundo ele, a devastação causada pela mineração é um dos pontos principais nas discussões, que o Estado tenta colocar como empecilho.















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