
Carlos José Marques:
A crise está chegando e o alerta vem de instituições que, pela natureza de atuação, entendem do assunto.
Bancos Centrais de todo mundo trataram na semana passada de avisar que turbulências estão no horizonte das finanças globais.
Depois de anos numa confortável estabilidade, ditada pelo ritmo e pela pujança da economia americana, eis que os desequilíbrios de mercados voltam a ser uma ameaça constante. Não se sabe quando, como e com que força um novo ‘crash’ pode se instaurar, mas os sinais estão por todos os lados.
Bolsas de valores já vivem a era das oscilações bruscas. As quedas em cascata, num efeito dominó, ocorreram mais uma vez há poucos dias, com epicentro nos pregões asiáticos. Vive-se a temporada da volatilidade. A economia brasileira estaria menos suscetível, dada a posição de suas reservas – na casa dos US$ 100 bilhões. Mas todo numerário vira pó, dependendo da força do ataque.
O economista Luiz Carlos Bresser Pereira, um afiado observador da cena, cravou o fato num artigo publicado pela Folha de S.Paulo: vem aí a próxima crise mundial. Ele diz não saber qual será a gravidade, mas aponta que ‘não se resumirá a uma modesta recessão nos EUA’. A raiz do medo que incomoda investidores, analistas e empreendedores em geral está plantada, nos últimos tempos, no que se convencionou chamar de estouro da bolha imobiliária americana, força motriz da nação de Bush.
Na prática, se repetiria uma conhecida epidemia: quando os EUA pegam um resfriado, o mundo todo fica com pneumonia. Nesse quadro, especuladores ávidos correm a saquear e a quebrar bancas internacionais. Os países recolhem seus investimentos e travam projetos. Os emergentes sofrem horrores: desemprego, juros pela hora da morte e a quimioterapia da recessão forçada. Eis algo que na atual altura do campeonato o Brasil não pode se dar ao luxo de fazer. Já é fato que o País perdeu o melhor momento internacional para crescer, com seu PIB patinando enquanto o dos demais saltava. No meio de um novo ’salve-se-quem-puder’, o governo Lula vai passar por seu grande teste e terá de usar de muita criatividade para manter o tal PAC nos trilhos.















Jonblue on March 23rd, 2007 at 12:25 pm
Estou de acordo.
Aliás, o estoiro está p/ breve
Jarbas Cordeiro on March 25th, 2007 at 8:15 pm
Cris,
Essa crise das bolsas é mais reflexo de um soluço da economia chinesa do que da americana. Para nós é mais um teste. Como dizem os especialistas, nessa hora precisamos ter calma. Se correr e vender provoca estouro ainda maior. Se já perdeu, conforme-se e aguarde este mercado é de longo prazo. Abs do Jarbas do Aparte.
Em tempo: estou com saudades, passa lá no Aparte. Bjos.