DCI:
Adquirir uma empresa em funcionamento pode ser um bom negócio, mas exige cuidados especiais, como pesquisar o movimento da empresa e a existência de débitos.

Na hora de pesar na balança se vale mais a pena abrir uma empresa a partir do zero ou comprar um estabelecimento já em funcionamento é preciso considerar que cada um dos caminhos tem em si vantagens e desvantagens. ‘O lado bom é que o empresário não vai precisar montar toda a estrutura e já começa a trabalhar com uma carteira de clientes. Mas em compensação, o negócio não sai tão ao seu gosto’, explica José Dantas, consultor financeiro do Sebrae-SP.
‘Não existe ovo de Colombo’, garante Dantas. ‘É melhor comprar a empresa pronta? Depende. Se tiver dinheiro e a compra for uma oportunidade, o empreendedor pode ter menos dor de cabeça’, complementa o consultor.
Segundo o professor de Gestão de Empresas e Planos de Negócio da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Antônio André Neto, a prática de comprar empresas ‘prontas’ está cada vez mais freqüente no Brasil desde a década de 80. ‘A consciência do empreendedor mudou. Antigamente havia mais a idéia do legado, de passar o negócio de geração para geração, conta Neto. Hoje é possível encontrar empreendedores que criam empresas e agregam valor a elas para depois vendê-las.
Neto diz que o empresário que compra um negócio já montado, deve saber que compra junto: uma carteira de clientes; de fornecedores; de recursos humanos; de sistema operacional; e a própria relação com a comunidade e com o mercado.
Mas assim como se compra ‘as coisas positivas’ da empresa é preciso estar atento aos pontos negativos, alertam os especialistas. ‘Muitas vezes se corre o risco de vir também os vícios antigos da outra empresa’, explica Neto. Não só isso, ’se o empreendedor não tomar cuidado com detalhes estará trazendo junto problemas’.
Investimento seguro
Antes de fechar o negócio é necessário seguir procedimentos. A dica é não encurtar caminhos, procurar profissionais qualificados para auxiliar com a documentação e fazer uma pesquisa, que é fundamental. ‘É importante estar bem assessorado, caso contrário é o famoso barato que sai caro, porque no entusiasmo o empreendedor acaba assumindo uma responsabilidade da qual não faz idéia’, diz Paulo Melchor, consultor jurídico do Sebrae-SP.
Na fase de levantamento de dados sobre o investimento é preciso incluir: visita a concorrentes; análise do movimento da empresa; tendências do mercado; ameaças e oportunidades; perfil do consumidor; qualidade do produto; satisfação dos clientes; fatores sazonais incidentes, entre outros. Todos esses são quesitos importantes quando se deseja realizar a viabilidade de qualquer negócio.
‘Depois, é partir para a verificação dos documentos. Qual é o estado da empresa? Existe algum débito com fornecedor ou tributário, por exemplo? Então, pedir certidões negativas’, explica Melchor. ‘É como levantar o tapete para ver o que tem embaixo’, diz. Essas são as exigências mínimas para verificar a regularidade da empresa. Por isso, a companhia de um advogado é bem-vinda para acompanhar a burocracia.















No comments yet.