Ana Lúcia Moura Fé:
Durante um evento de tecnologia, há 3 anos, uma roda com 8 donos de revendas discutia o futuro de seus negócios. Estavam todos preocupados com o avanço das grandes redes de varejo no comércio de produtos de informática. ‘Seremos engolidos’, era a frase mais ouvida. E não importavam muito os esforços de cada um deles.

‘Para os fornecedores, continuávamos sendo a raia miúda, praticamente invisível e sem poder de negociação’, diz Fernando Coelho, sócio-diretor da revenda CTIS.
Para enfrentar o problema, o grupo apostou num bordão muito desgastado, mas pelo visto ainda eficiente: a união faz a força. Nascia o Varejoinfo, grupo hoje formado por 10 revendas com 46 lojas espalhadas por dez estados, além do Distrito Federal. As empresas continuam independentes, mas agora atuam em bloco, o que confere a elas um poder de negociação semelhante ao de uma rede de varejo.
Juntas, as revendas faturaram em torno de360 milhões no ano passado. Depois que se uniram, todas aumentaram as taxas de crescimento. Algumas delas mais que duplicaram as receitas. Separadas, as empresas que formam o Varejoinfo continuam classificadas como médias. Mesmo assim, em lugar do costumeiro desdém, todas, sem exceção, agora recebem tratamento diferenciado de fornecedores como HP e Microsoft e distribuidores como Alcateia e Tech Data, só para citar alguns. Na última reunião do Varejoinfo apareceram cerca de 60 empresas, entre fornecedores e distribuidores, dispostos a ouvir e a apresentar propostas. ‘Em bloco, essas empresas, que eram apenas clientes comuns, passaram para a lista dos clientes preferenciais, com status de grande rede, com direito de negociar tudo, não apenas preços’, afirma Diego Aro, vendedor da Alcateia Engenharia. Isso significa que, quando a Supriforms, revenda de Teresina (PI), recebe benefícios diferenciados, de qualquer natureza, tudo deve ser repassado automaticamente para as demais empresas do bloco. A regra vale para atendimento personalizado, negociação de descontos, proteção contra oscilação de preços, treinamento de funcionários, verbas de marketing e condições diferenciadas de RMA (retorno de mercadoria autorizada), entre outros fatores que facilitam o crescimento e a sobrevivência de qualquer canal.
Confira a Troca de Informações…
Ilustrações: Estudio Mol


















DO on June 28th, 2006 at 8:14 am
Acho uma iniciativa inteligentíssima pra concorrer com os grandes grupos.
Beijos!
Malkhut on June 28th, 2006 at 10:09 am
Na minha cidade os donos de supermercados locais estão pretendendo enfrentar as grandes redes como todo bom capitalista brasileiro, proibindo, através de lei no código de posturas que proibe a construção de supermercados com prédios com área superior a 1,5 mil metros quadrados, igualzinho ao que acontece já na cidade de Passo Fundo - RS.
Como funciona o autêntico capitalista brasileiro? Assim ó: se você não consegue superar a concorrência, por incompetência ou qualquer outro motivo, alie-se a alguns políticos, ofereça, de preferência, alguma propina, pode ser qualquer coisa, desde uma caneta até uma Land Rover e peça-lhes que crie uma lei que impeça a concorrência de trabalhar. Pronto. Esse é o capitalista brasileiro!