
Neide Martingo:
Uma das características do empreendedor é o talento de transformar obstáculos em experiências que enriquecem o negócio. No caso de Isolda Salmi, a questão vai um pouco além. Um problema de saúde mudou a vida da empresária para melhor.
Aos 48 anos ela descobriu que tinha a doença celíaca – intolerância permanente ao glúten. Já era portadora, mas a doença só se manifestou ao enfrentar problemas familiares e profissionais. Os sintomas tornavam os dias difíceis: corpo dolorido, enjôo, dor abdominal. Foram necessários 3 anos e muitos exames para que os médicos diagnosticassem a doença, causada pela ingestão do glúten. Quando isso ocorre, a substância fica na parede do intestino e causa intoxicação ao portador. O glúten é um elemento presente no trigo, cevada, centeio, aveia, malte e derivados, produtos que a empresária não pode consumir.
E foi da necessidade de se alimentar que surgiu a Cia. Sem Trigo surgiu. Como não encontrava no mercado alimentos para pessoas portadoras da doença celíaca, Isolda resolveu, literalmente, pôr a mão na massa. No lugar da farinha de trigo, usava em suas receitas farinha de arroz, fécula de batata ou de mandioca. Deu certo. O primeiro produto, o Tuilles, fez sucesso em casa. Trata-se de um biscoito salgado e crocante, parecido com um produto francês, descoberto por uma funcionária de Isolda. Feito à base de mandioca, ganhou 7 sabores: tomate seco, manjericão e queijo, além de 2 versões doces, de chocolate e castanhas de caju.

Logo surgiu o estímulo para fazer os produtos para vender e o receio de ousar. ‘Pensava nas pessoas portadoras da doença que poderiam ter opções de alimentação. Mas não tinha certeza se deveria ir à frente no negócio’, afirma Isolda. Os temores deram lugar à ousadia e à criatividade. Continuou pesquisando e lançou as broinhas Amaretto, o Quiche 4 queijos e o pão de forma fatiado (congelado), todos sem conservantes. Os produtos da Cia. Sem Trigo são vendidos em pelo menos 30 pontos no Brasil, sendo mais caros do que os tradicionais. O preço do pão de forma, por exemplo, é 50% maior.
Com a doença controlada e com sucesso profissional, Isolda agora se dedica mais à pesquisa e ao desafio de encontrar representantes do setor alimentício, que possam divulgar a Cia. Sem Trigo pelo País. O próximo passo é fabricar em escala cada vez maior, sem perder o toque artesanal que marca todos os produtos. ‘Se aumentarmos a produção, o preço poderá cair e mais pessoas terão acesso aos alimentos’. Aos empreendedores, ela sugere determinação e paciência. ‘É preciso fazer tudo com o coração e enfrentar o medo de ousar. Fazer tudo com o coração, em primeiro lugar. As pessoas têm de colocar a mão na massa sem medo’. Além disso, é necessário saber transformar problemas em saídas positivas e experiências que enriqueçam o negócio.















Clayton Cruz on June 22nd, 2006 at 4:39 pm
Dia desses ainda comentava sobre a dificuldade de alimentação das pessoas portadoras dessa doença. É dificil imaginar que alguém possa ficar sem provar as mais variadas guloseimas da culinária tradicional, mas agora surge a solução. Espero que ela encontre alguém que tenha a mesma visão que ela teve de mercado e que seus produtos fiquem acessíveis a todos. [ ]