
Elaine Cotta e Adriana Nicacio
Wanderlei Coelho teve uma infância bastante pobre. Ele e o irmão foram criados pela mãe num barraco de madeira da Vila Madalena, nos anos em que o reduto boêmio ainda era habitado pela classe média baixa de São Paulo. Ele foi engraxate, tapeceiro, office boy, motorista de táxi e mecânico. ‘Meu objetivo era vencer na vida como todo mundo’, diz. Conseguiu. Hoje é dono de uma casa noturna com capacidade para 2 mil pessoas em São Paulo, de restau-
rante, de uma produtora de eventos e sócio de uma construtora. Tem ainda investimentos em locação de imóveis e numa escola primária. Como chegou lá? Além de trabalhar muito, estudou Direito. Formado, montou um escritório de advocacia, que também funcionava como imobiliária e despachante, mas acabou enveredando pelo mundo dos espetáculos. ‘Sabia que se estudasse e batalhasse muito, conseguiria sair daquela miséria’, conta. Aos 52 anos, se orgulha de possuir uma casa avaliada em mais de R$ 1 milhão em Alphaville, bairro nobre de São Paulo, de uma Mercedes SLK200, uma Pajero Sport, um Montana e outros 15 imóveis.
História de vida semelhante tem um homem chamado Joaquim Barbosa. Com um salário mensal que representa o teto do funcionalismo público – nem o presidente da República ganha mais do que ele (aliás, ganha 3 vezes menos), o primeiro ministro negro do Supremo Tribunal Federal começou a vida profissional varrendo chão. Primogênito dos 8 filhos de um pedreiro com uma dona de casa, Barbosa costumava limpar o banheiro do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal cantando em inglês com pronúncia perfeita. Deixou boquiaberto o então diretor do tribunal, Pedro Luz Cunha, que o apadrinhou, conseguiu um emprego melhor e o orientou a voltar a estudar. Hoje, no auge dos seus também 52 anos, Barbosa fala 4 idiomas é mestre e doutor em Direito Público pela Universidade de Paris, mestre pela UnB, professor licenciado da UERJ e professor visitante da Universidade de Columbia, em Nova York, e da Universidade da Califórnia. ‘Minha nomeação é a coroação de uma carreira’, disse ao assumir o cargo. ‘Tenho a esperança de que, nos próximos 10 ou 15 anos, uma indicação como esta (de um negro) seja coisa banal. Assim, aceito o fardo, e esse é o preço que tenho de pagar.’
Esse sonho de Barbosa já começou a dar sinais de que pode se concretizar. Vá conferir a pesquisa.
Foto: Daniel Wainstein















Chris Pessoa on June 5th, 2006 at 7:41 am
Muito bom, Cris!
Os negros já sofreram muito na história e eu acho que eles merecem!
DO on June 5th, 2006 at 8:12 am
Fiquei animado,CRIS.
Exemplo a ser seguido.
Otima semana a vc
Beijão!