Neide Martingo
Banca de jornal ou loja? As 2 coisas. Na fachada, as notícias aparecem gigantes, como marca registrada.
Dentro do local, em vez de jornais e revistas, camisetas. ‘É uma peça do vestuário que é um meio de comunicação. A pessoa se expressa quando usa’, explica uma das donas da Banca de Camisetas, Suzana Jeha.
Estampados pensamentos, palavras ou desenhos. A idéia é que as pessoas se identifiquem com as frases e estampas. Há 3 anos, Suzana e Débora Suconic criaram a grife. ‘Débora tinha a idéia. Eu, o espaço, na Vila Madalena, diz Suzana.
Após a camiseta já ter sido explorada durante muito tempo,
por diversas grifes – famosas ou não – a dupla viu na peça uma forma de ganhar dinheiro com criatividade. ‘É difícil encontrar uma loja de roupas que não venda camisetas. Demos ao item uma abordagem exclusiva’, explica Débora. O desafio da dupla é não rotular o negócio, para atender a todo tipo de público. ‘Numa banca de jornal encontramos revistas de fofoca e de economia. Queremos esse espírito múltiplo. Nem lemos revista de moda para não atrapalhar a inspiração’, detalha Suzana.

As sócias não têm curso universitário completo. Débora ‘fez faculdade da vida’. Atuou vários anos como produtora na editora Abril. A experiência em varejo foi adquirida quando trabalhava em grifes como Huis Clos e Glória Coelho. Suzana ocupou cargos na MTV. Mas têm orgulho da Banca de Camisetas. Com apenas 3 anos, a banca tem 7 lojas próprias – inclusive em shoppings. Suzana cuida da comunicação da grife. Débora, da organização das lojas. A expectativa das empresárias é que o faturamento cresça até 30% este ano, contando com uma novidade: a expansão por intermédio das franquias. ‘Recebemos muitas ligações de interessados. Em média, 6 por dia. Temos cerca de 100 pessoas inscritas e estamos analisando a história de cada um’, diz Suzana.

Para ser ‘aprovado’, é preciso que o aspirante a franqueado tenha experiência em varejo e esteja conectado ao dia-a-dia de uma loja. Até setembro, os planos prevêem até 5 franquias. E há negociações para a abertura de unidades em Portugal, Miami e México. As proprietárias fazem parte da equipe de criação. ‘As pessoas podem falar através das camisetas. As frases e ilustrações ajudam a a mostrar o estado de espírito daquele dia: romântico, triste, alegre, preocupado’, explica Débora. A grife também está lançando uma linha mais artesanal, cujas peças vão custar aproximadamente 80% mais que as tradicionais.
Por não ter uma ‘cara’, as camisetas são exibidas por clientes de todos os tipos.
A família do cantor Xororó, da dupla Chitãozinho & Xororó, é consumidora da banca. Na visita mais recente, Júnior escolheu uma peça que trazia o desenho de uma caminhonete. A mãe do músico, Noeli, levou 2 camisetas para dar de presente. ‘Não resistimos ao passar em frente à loja, é impossível não parar’, diz Noeli. ‘Aqui encontro variedade de estampas e frases. Sou consumidor antigo’, revela Júnior.















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