
Como o site de classificados fundado por Craig Newmark se transformou em febre mundial e criou um novo modelo de negócios
Mariana Ditolvo
(…) Craig Newmark é um simpático engenheiro de sistemas de 53 anos de idade. 10 anos atrás, ele fundou algo que viria a se tornar em verdadeira mania: o Craigslist. A idéia partiu da mais antiga relação comercial do mundo, o escambo, e evoluiu rapidamente até se tornar um novo modelo de negócios, cujos efeitos vão além da própria internet. Com a intenção de facilitar a vida dos internautas de São Francisco, Craig criou um serviço de classificados online no qual anúncios de bens e serviços são divididos por cidades e assuntos. Nota importante: o anúncio é quase sempre grátis.
Para anunciar na Lista de Craig pagam apenas as empresas que oferecem vagas de emprego e as pessoas que põem imóveis à venda. Pode-se colocar fotos e não há limites para a quantidade de palavras. Para quem anuncia, é quase um almoço grátis, embora a empresa tenha um faturamento estimado entre US$ 10 milhões e US$ 20 milhões. Seu valor de mercado segundo a Jupiter Research é de US$ 100 milhões. Em agosto de 2004, o site de leilões eBay adquiriu 25% do Craiglist por quantia não revelada. Craig não confirma os números e nem a essência do seu modelo de negócios, que os analistas dizem estar baseado em publicidade. ‘Não falo sobre receita e, honestamente, não me preocupo com isso’, disse. Sua lista pode se encontrada em 190 cidades e 35 países, com 3 bilhões de cliks por mês. Exibe algo como 6 milhões de anúncios classificados e um milhão de mensagens postados nos fóruns a cada mês. ‘Nunca imaginei o impacto que minha idéia causaria’, diz Craig.
O troca-troca se tornou um fenômeno tão grande que em suas páginas já foram protagonizadas histórias dignas de roteiros hollywoodianos. Kyle MacDonald, por meio da seção de escambo do site, iniciou uma maratona de trocas com um clipe de papel vermelho e, 9 meses depois, conquistou 1 ano de aluguel gratuito num duplex em Phoenix.
A sacada e a publicidade boca a boca renderam dinheiro e fama mundial a Craig. Em São Francisco, todo 10 de outubro, dia do lançamento do site, comemora-se o Craigslist’s Day. Ele tem mexido fundo na indústria publicitária americana. O relatório de uma empresa de consultoria concluiu que os jornais da região de São Francisco perdem US$ 50 milhões por ano por conta do Efeito Craig. Claro, tanto sucesso chamou a atenção da concorrência. Microsoft e Google já criaram serviços parecidos, para não dizer iguais. Mas o original também se expande. Hoje, o endereço www.craigslist.org já dá acesso a classificados no Rio de Janeiro e São Paulo. ‘Nossa operação no Brasil está indo bem. Temos um milhão de acessos por mês’, afirma Craig.
Também por aqui Craig já tem concorrentes. A recém-criada Rede Parede, por exemplo, possui comunidades no Orkut e recebe, em média, 100 novos anúncios todos os dias. ‘O Craigslist foi nossa inspiração’, admite Gustavo Leig, responsável pelo site.
No Brasil, segundo a Nielsen/NetRatings existem 25,9 milhões de usuários conectados à internet e desses, pelo menos 25% visitam regularmente serviços de classificados online. Outro concorrente, o Keero, no mercado desde agosto de 2004, apresentou crescimento de 3000% entre março de 2005 e março de 2006. Diferente do oferecido por Craig, nesse site é possível segmentar a busca por bairro e a receita é proveniente principalmente dos classificados. Diante da competição, o ‘mestre’ insiste. ‘Onde as pessoas nos quiserem, nós iremos’, afirma Craig.
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Leia mais sobre Craiglist no blog do nosso Chuck Huckaby.















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