Novo Software Político

April 25, 2006 by Cris Zimermann | 0 Comments
In Estratégia, Socorro! Isto é o Brasil, Estilo de Vida Empreendedor

Raul Gouvêa

No inicio de 1990, o país assistiu a introdução de um novo ‘hardware econômico’. Esse representou um ponto de inflexão na economia nacional, o que demandou a criação e introdução de novos ‘softwares’ que propiciariam uma maior eficiência e transparência nas decisões políticas, econômicas e sociais. Além disso, esse conjunto de novos softwares iria também eliminar a opacidade de políticas macro e micro econômicas, que levariam a criação de uma nova cultura econômica que distanciasse o Brasil cartorial, do Brasil da era do conhecimento.

Nesse sentido, o papel do governo seria o de promover um ambiente de negócios com regras estáveis, propiciando a geração de tecnologias e inovações nacionais, prover o país de uma infra-estrutura eficiente, e fornecer serviços básicos de qualidade, como segurança, educação e saúde. O governo não pode ser um agente que prejudique e atrase a introdução desses novos softwares e desestabilize o novo hardware econômico.

Na era digital a inovação tem que ser premiada, a competição incentivada, a transparência econômica e política implementada em todos os níveis sociais e econômicos. Não é o que se vê hoje no Brasil.

Havia a esperança e a ilusão de que o atual governo fosse mudar e eliminar a crença no obscurantismo do processo decisório, tanto econômico, como político; e aprimorar os órgãos encarregados de monitorar excessos de membros do governo. Essa cultura política e econômica, que hoje prevalece, é perniciosa e nociva ao futuro econômico nacional. O conflito entre o novo hardware econômico e o software político ultrapassado, perpetuado no atual governo, gera crises de compatibilidade que acarretam ineficiências com custos sociais e econômicos consideráveis.

Em uma economia globalizada, onde a tecnologia, a inovação e o empreendedorismo são o esteio do crescimento econômico. Uma cultura política e econômica opaca como a praticada hoje no país só faz penalizar os brasileiros que anseiam viver em uma sociedade mais justa econômica e socialmente, livre da violência e da corrupção.

Enquanto em vários países discute-se uma maneira mais eficiente da inserção na economia global e uma participação mais ativa no ‘Agora’ da Inovação, o país ainda está mergulhado no cartorialismo surrealista de Brasília. Até o momento, o Brasil não desenvolveu uma política econômica estratégica de longo prazo, que assegure um futuro melhor para os brasileiros. A falta de compatibilidade não cria oportunidades para que o país construa bases sólidas para o futuro. O país vive no hoje enquanto países como a China planejam cenários futuros. Estamos penalizando gerações futuras.

A economia brasileira clama por políticos sérios que promovam uma cultura econômica de século XXI e não a do tempo do Brasil colônia e cartorial. Os constantes desvios, erros, enganos, e ineficiências do governo custam ao país a sua reputação internacional, investimentos estrangeiros, empregos e uma sociedade mais justa e segura. Os “acomodados que nada sabem� e que se comportam como avestruzes são mais um obstáculo para o amadurecimento econômico, político e social do Brasil.

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