Garotas Brasileiras Precoces

March 30, 2006 by Cris Zimermann | 3 Comments
In DNA Brasil, Educação e Cultura, Estilo de Vida Empreendedor, Garotas do Brasil, Garotos do Brasil, Para Pensar

Marina Caruso e
Mônica Tarantino

As meninas estão crescendo mais rápido. Têm curvas, comportamentos e hábitos de consumo de adultas que movimentam no mundo uma indústria de US$ 15 bilhões
(R$ 33 bilhões) anuais
. Por volta dos 10 anos, começam a mudar o jeito de vestir, falar e agir. Querem usar roupas mais insinuantes e, para desespero dos pais, deixar de ser BV ou BVL (na gíria teen, boca virgem ou boca virgem de língua). Porém, o que mais preocupa os especialistas é que essa aceleração no comportamento se reflete no corpo com intensidade cada vez maior.

A sociedade tem grande participação na mudança. ‘As meninas estão submetidas a uma forte pressão social que as empurra para a erotização precoce. Desde pequenas, estão expostas a outdoors de apelos sensuais, a programas de tevê e capas de revistas que apontam para o erotismo. Elas percebem o valor que a sociedade dá a isso’, diz a educadora e psicóloga Rosely Sayão. No Brasil, a televisão contribui muito. 80% da programação é feita para adultos e nossos pequenos ficam 4 horas e 51 minutos por dia em frente da tela (recorde mundial).

Esse ambiente envolve meninos e meninas de tal modo que muitos trocam a infância pela adolescência antes mesmo de passar pela puberdade, a fase das transformações provocadas pelos hormônios. Diante desse contexto, qual é o papel dos pais? ‘Eles devem deixar claro que não pactuam com determinadas vestimentas ou estilo de vida. Mesmo que isso torne a filha diferente da maioria das colegas’, afirma Rosely.

Agir assim vai contra as expectativas teens, mas surte efeito. Apesar dos protestos da filha Beatriz, 11 anos, sua mãe, Debora Belintani, deu-lhe um celular que apenas recebe ligações, monitora as conversas na internet e não a deixa pintar os olhos para ir à escola. ‘Dou liberdade controlada para que ela se sinta segura para crescer’, explica Debora. Para a psicanalista Maria Helena Fernandes, mãe de Elisa, 10 anos, ‘cabe aos pais aceitar a diferença de geração, manter-se sempre próximos dos filhos e não ceder na tarefa de dizer o que eles podem fazer’. Muitas vezes, proibir a filha de beijar na boca antes dos 10 anos, por exemplo, pode aliviar a cobrança.

Se a cabecinha dessas meninas ainda não está pronta para absorver tantas mudanças, o mesmo não se pode dizer do mercado. As indústrias de moda e beleza, ávidas para lucrar com os anseios gerados pela apropriação precoce dos valores adultos, lançam sem parar novidades para a garotada. De maquiagem a jóias, roupas de grife e bufês infantis com serviço de cabeleireiro, já é possível encontrar de tudo na fatia de mercado chamada de tween pelos publicitários (fusão de teen com between – entre, em Inglês), relativa aos pré-adolescentes. Só a moda infanto-juvenil brasileira movimenta R$ 10 bilhões ao ano, o que corresponde a 1/3 de toda a roupa consumida no País. E são exatamente as garotas que dominam a cena. ‘Cerca de 60% da moda nacional é dirigida ao público feminino. Desse total, outros 60% são consumidos por garotas entre dez e 18 anos’, diz Sara Kalili, diretora do Teen Fashion, semana jovem de moda . ‘Os cuidados com as roupas e o visual fazem parte da auto-afirmação do adolescente. Eles não querem roupas de crianças e são novos demais para se vestir como adultos. Precisam da sua própria moda’, diz a empresária Christiane Rocco, da grife Spezzato Teen, uma das primeiras a investir nesse público.

A indústria da beleza também lucra com a vaidade precoce das meninas brasileiras. As vendas de cremes e loções para crianças e adolescentes tiveram um crescimento de 204,6% em 6 anos. O feito ajuda a entender por que as consumidoras mirins – pasmem! – já estão quase tão acostumadas a usar batom quanto as mulheres adultas. Nada menos que 69% das crianças de 10 a 12 anos afirmaram usar batom com freqüência. Entre as mulheres acima de 13 anos, esse número não passou dos 68%. Um bom motivo para as mamães esconderem o estojo de maquiagem.

* Não deixe de ler o post seguinte

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Comments

  • leslie on March 30th, 2006 at 3:21 pm

    oi cris!!
    tudo blz?

    não esquecí de enviar teu livro não, viu? é que não deu tempo ainda, mas enviarei.
    quanto a essas meninas precoces…será que , já que são precoces, elas não gostariam de começar a trabalhar mais cedo também? rsss! é pq querer ter de tudo andar arrumadinha, perfumada, etc, com o dinheiro do pai é bão! rsss!
    bjs!

  • Milton Toshiba on March 30th, 2006 at 6:07 pm

    Cris e as plásticas e botox? Muitas estão trocando o baile de debutantes por uma plástica….E a foto anterior, vai mudar?
    Bjjjsss

  • Mile on March 30th, 2006 at 6:32 pm

    Quantos post legais eu perdi =[.. Desculpa pela minha ausencia Cris.... Eu estou em falta com muita gente..... Bom sobre o seu comentario da Barriga Americana, rsss... Essas Americanas fazem cada uma......Obrigada pelo carinho de sempre.. Hj sem falto colocarei seu link la no blog =]……. Hj na Ana Maria Braga vi uma reportagem pareceida com esta, eh incrivel como a nova geracao estao se desenvolvemendo de uma certa maneira tri rapido…… Que p/ mim eh uma pena sabe, pois a minha infancia foi tao boa que se pudesse voltaria ao tempo p/ curtir mais e mais… Gracas a Deus agora tenho meus filhos e vou poder cortir com eles, quero mostrar o quanto eh bom ser crianca =]….. Bjokas Linda e T+++!

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