
John Neschling – Diretor Artístico da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, entrevistado por
Lílian Cunha
Aprenda a gostar da solidão
Meu dia de trabalho tem um ritmo doido. Nem sempre é no Brasil e varia demais. Quando é época de temporada e a orquestra está se apresentando em outros estados ou no exterior a rotina é simples: aeroporto, avião, hotel, ensaio e apresentação. Não passa disso e é puxado demais.
Se a temporada é na cidade, meu dia começa às 9h da manhã, na Sala São Paulo, com os ensaios. Eles se estendem pela manhã e pela tarde — todos os dias. Também ensaio individualmente com os solistas e dedico algumas horas do dia para conversar com os músicos. Cuido para que eles se preservem. Em uma orquestra não há espaço para baladeiros. Quando não tem concerto, termino os ensaios lá pelas 9h da noite. Eles são muito extenuantes fisicamente.
Não faço nenhum esporte ou atividade física porque a regência já é praticamente uma musculação. O que faço é massagem shiatsu, principalmente no pescoço e nas costas. Ao encerrar o dia, mesmo em noite de apresentação, vou direto para casa dormir. Adoro dormir e pego no sono com a maior facilidade. Durante o dia, também dou meus cochilos. Encosto em qualquer lugar e tiro aquela soneca de 20 minutos. Acordo restaurado. Quando estou nervoso, essa é minha técnica para me acalmar.
Sou muito solitário. Não gosto de barulho nem de falar ao telefone. Só tenho celular para falar com minha esposa. E mesmo assim, uso só umas 3 vezes por semana. Sempre acordo cedo, por volta de 7h. As 2 primeiras horas depois do café-da-manhã passo no computador de casa, respondendo emails, pesquisando músicas e novos repertórios. Depois vou para a Sala São Paulo, atendo quem precisa falar comigo, vou a reuniões com o pessoal do governo, e com a diretoria executiva da Fundação Osesp (eles que cuidam do dinheiro), e volto para casa na hora do almoço.
À tarde, estudo as partituras. Quando não estou regendo, estudo muito. Passo 3 horas no mínimo estudando. Estudar é imprescindível.
Foto: Zeca Caldeira
A Rotina de Executivos e Empresários no País Tropical I, II, III e IV.















Vera on March 27th, 2006 at 11:44 am
E quem ganhou com isso foi Pedro Neshling, filho do maestro com a atriz Lucélia Santos. Ele é ator, apresentador e diretor tbm. Tem a quem puxar!