Ivan Martins
Falta mão-de-obra. Assim pode ser resumido o problema brasileiro da TCS, maior empresa mundial de serviços de software, instalada no PaÃs há 2 anos. Braço tecnológico e internacional do grupo Tata – uma espécie de Votorantim indiano, com 107 anos de existência – a TCS tem 600 empregados no Brasil e quer duplicá-los ao longo deste ano. Enxerga no PaÃs um pólo de talento e um mercado equiparável aos de Ã?ndia, China e Rússia, capaz de abastecer os paÃses europeus e os EUA com programas baratos e assistência tecnológica à s empresas. Mas para isso falta gente.
‘Nosso limite de crescimento é a capacidade de encontrar pessoas qualificadas e treiná-las’, diz S. Ramadorai, presidente mundial da empresa. Ele esteve no Brasil na semana passada, pela terceira vez, e revelou-se animado com a ‘habilidade e a ética de trabalho’ dos profissionais brasileiros. Mas ao contrário da Ã?ndia, onde a população de 1,3 bilhão de habitantes garante um manancial infindável de trabalhadores educados e de baixo custo (a renda per capita é 5 vezes menor que a brasileira), aqui as condições são diferentes. Há um número limitado de tecnólogos, a legislação trabalhista é relativamente restritiva e mesmo a mobilidade internacional converteu-se em um problema. ‘Pode-se levar 4 meses para obter o visto de um técnico estrangeiro’, queixa-se Sérgio Rodrigues, presidente da TCS do Brasil. O recado da empresa é simples: se o PaÃs quer se tornar competitivo no setor de serviços, há que educar mais, reduzir as barreiras burocráticas, investir na infra-estrutura e cobrar menos impostos. ‘Os impostos na Ã?ndia e na China são muito mais baixos’, diz Ramodarai.
Mesmo na ausência desse cenário ideal, o grupo Tata está feliz com o Brasil. Daqui sairá o grosso do trabalho para o ABN, banco holandês que acaba de assinar com a TCS um contrato global de terceirização no valor de 200 milhões de euros. Os executivos indianos estão otimistas com o crescimento do mercado global de terceirização – que já soma US$ 300 bilhões – e acreditam que o Brasil pode ter um papel crescente no negócio. O grande número de multinacionais instaladas no PaÃs sugere isso, assim como a pujança das empresas locais. Ao mesmo tempo, a posição central na economia sul-americana e a proximidade com os EUA oferecem uma porta natural para exportação de serviço. Mesmo porque o crescimento nessa área é tão rápido que as exportações anuais da Ã?ndia devem crescer dos atuais US$ 23 bilhões para US$ 60 bilhões em 2010. Nessa toada, há espaço para todos.
Foto: montagem sobre foto de Daniel Wainstein















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