�sia III - Desvendando Mistérios Culturais, Religiosos e Lingüísticos

February 16, 2006 by Cris Zimermann | 0 Comments
In Brasil Asiático: Verde x Amarelo, Dicas, Educação e Cultura, Estilo de Vida Empreendedor

Em seqüência a nossa série de posts �sia I - A Verdadeira Muralha da China e �sia II - Negociando a Bolha Chinesa, vamos conferir mais alguns aspectos do estilo de vida asiático.

Viviana Araneda, chefe do departamento da �sia e Oceania da Direção de Relações Econômicas Internacionais da chancelaria chilena, participou de um fórum sobre mercados asiáticos realizado na Universidade Católica do Chile. Durante a primeira onda de negociações do TLC com a China, todos os negociadores sentaram-se em torno de uma mesa muito grande e, diante do silêncio dos representantes asiáticos, os chilenos apresentaram suas propostas, evidenciando assim o maior domínio de um grupo de especialistas que já havia negociado mais de 40 acordos. ‘À medida que as rodadas de negociações se sucediam, eles foram aprendendo e acabaram se tornando negociadores melhores do que nós’, admitiu ela.

Para superar a distância cultural e as percepções estereotipadas, é preciso que os centros de estudos superiores da América Latina contem com programas educativos voltados para a �sia. A especialidade �sia-Pacífico nas universidades da região é pouco desenvolvida. Contudo, uma exceção digna de nota é o México, onde — por exemplo — o Colégio do México tem cursos especializados na região disputados por bolsistas de toda a América Latina, além de outras instituições do país. Em seguida, vêm as universidades peruanas e, no caso do Chile, o Instituto de Estudos Internacionais da Universidade do Chile, que tem um pequeno programa sobre a �sia bastante tradicional, antecipando-se aos acontecimentos em sua preocupação com essa região.

Sem dúvida alguma um ativo essencial, e que faz a diferença no sucesso do empresário latino-americano ou do profissional de negócios na �sia, é o domínio de um idioma da região. O Inglês não basta. Para os profissionais e empreendedores de um país, o ideal é aprender mandarim ou cantonês. Quem quiser participar desse processo precisa agregar esse valor.

Prova também desse interesse é a grande quantidade de centros de estudo de mandarim por toda a América Latina. É uma boa coisa, contanto que a oferta atenda à demanda. Contudo, pode ser também mera moda passageira que deixará muita gente arruinada pelo caminho. Há quem acredite que, o ensino maciço do mandarim é um equívoco, sendo melhor adotar-se um enfoque seletivo, voltado para quem necessite de fato, por motivo de trabalho ou de desempenho de outra função qualquer, de conhecer o idioma de um país asiático.

É necessário começar pelo princípio, e não pelo final: em primeiro lugar, aprender bem a própria língua e, em segundo lugar, o Inglês. Muitas pessoas têm problemas graves de redação. Devemos atacar, primeiro, as prioridades. Qualquer colégio latino oferendo como opção o estudo do mandarim é desperdício de dinheiro.

Quem sabe bem a língua mãe aprende melhor qualquer outro idioma. Não é necessário chegar a dominar um idioma da região, somente o Inglês seria imprescindível. Porém, é preciso valorizar a vasta cultura asiática, conhecer algumas palavras em mandarim, por exemplo, é visto como algo de muito bom tom na China.

Os aspectos culturais próprios da �sia acabam repercutindo na mesa de negociações. Para um homem de negócios coreano, o indivíduo com quem se negocia é um amigo a quem se deve observar constantemente, ao passo que para um chinês, trata-se de uma ocasião de conflito constante.

Como negociar com um asiático?

Uma negociação intercultural entre um profissional ou empreendedor latino-americano e seu colega asiático deve atender aos seguintes objetivos:

  • estabelecer um diálogo crítico e autocrítico;
  • eliminar os estereótipos negativos de cada cultura, pôr de lado a arrogância, isto é, não achar que a verdade está sempre do nosso lado;
  • desenvolver contatos pessoais para que os outros vejam como somos e não achar que o outro pensa exatamente como nós.

    E, se as crenças religiosas também definem de modo importante a sociabilidade dos asiáticos, deve-se buscar o entendimento desses valores. A falta destes pode levar à frustração e à venda medíocre de produtos pouco adequados ao gosto asiático, levando ao fracasso do empreendimento.

    Diferentemente da América, na �sia sempre coexistiram religiões muito diferentes entre si, como o confucionismo, budismo, taoísmo, xintoísmo e islamismo, entre outras. Mas os valores asiáticos presentes em boa parte da �sia têm origem no confucionismo, não tanto em sua forma religiosa, e sim em seus preceitos filosóficos e estilo de vida. Alguns intelectuais asiáticos defendem que a ênfase do confucionismo sobre o trabalho duro, a poupança, lealdade à família e o orgulho nacional influíram decididamente no desenvolvimento econômico da �sia.

    Na �sia, os interesses da comunidade vêm antes dos interesses individuais; portanto, as decisões em qualquer organização são tomadas, de preferência, com base no consenso e não na confrontação. Coesão, ordem e harmonia social são prioridades que se viabilizam por meio de princípios morais e de um governo forte. Além disso, os principais elementos do chamado neoconfucionismo que une a China, Japão, Coréia e Vietnã são: respeito à autoridade e à tradição, respeito à educação e preferência por um governo de caráter moral. Diante disso, os valores ocidentais se sobressaem pelo individualismo, pela liberdade, pelo gozo da vida presente, o que torna difícil para nós compreendermos um adiamento tão grande do prazer presente por um futuro melhor.

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