
Oscar Niemeyer está presente no desenvolvimento do design brasileiro, principalmente pela sua relação com os diversos designers que equipavam seus projetos.
Andrei Khalip
Aos 98 anos, Oscar Niemeyer ainda quer surpreender o mundo com novas formas de seu adorado concreto armado. ‘Essa é a arquitetura que eu faço, procurar formas novas e diferentes. Na arte, o importante é a surpresa’, disse o arquiteto à Reuters. Em seu escritório ensolarado, com vista para a praia de Copacabana, Niemeyer trabalha em projetos que agora divide, cada vez mais, com outros arquitetos. Apesar de sua idade, ele não tem planos de se aposentar. ‘O conteúdo plástico do concreto armado é tão fantástico que este é o caminho a seguir’, disse com a voz frágil, mas com os olhos brilhando.
A cidade de Niterói, do outro lado da baía, está construindo o maior projeto de Niemeyer desde a capital futurística de Brasília, que ele e o amigo Lucio Costa projetaram no final dos anos 1950. 10 prédios, incluindo uma catedral católica, uma igreja batista, um teatro e um edifício que abrigará a Fundação Niemeyer, farão parte do chamado ‘Caminho Niemeyer’ em Niterói. Outro projeto seu bem conhecido do público, o Museu de Arte Contemporânea, inaugurado em 1996, unindo-se às centenas de prédios que ele projetou em todo o mundo, de Nova York a Paris. Especialistas debatem a função utilitária de suas criações, com muitos dizendo que é muito menos prazeroso trabalhar ou viver em um dos prédios projetados por Niemeyer do que apenas contemplá-los à distância. O arquiteto rebate: ‘é ridículo e irritante falar sobre função imediata da forma em arquitetura. Meus prédios servem a meus propósitos, ou meus clientes não estariam pedindo mais projetos’.
As curvas em concreto de suas criações costumam ser inspiradas por formas femininas. ‘Ah, as mulheres, a melhor coisa que um homem pode ter é uma mulher do seu lado e então deixar por conta de Deus. A mulher é indispensável’, diz Niemeyer. Sua mulher, com quem foi casado por 76 anos, morreu em 2004. Mas ele não gosta de falar sobre sua vida pessoal. Dinheiro e fama não lhe interessam e, julgando pela aparência simples de seu escritório, isso é verdade.
Comunista apaixonado que viveu e trabalhou no exílio durante a maior parte do regime militar no Brasil, Niemeyer ainda é politicamente ativo, apoiando o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra que, segundo ele, é ‘o único movimento importante no Brasil’. ‘A vida é mais importante que a arquitetura… a arquitetura não melhora a vida dos pobres, mas pode-se melhorar a vida protestando nas ruas’, disse. Ele tem poucas palavras de apreço ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. ‘O problema de Lula é que ele é um trabalhador que quer melhorar o capitalismo’.
Apesar de ter projetado várias igrejas, Niemeyer é ateu. ‘Gostaria de acreditar em Deus, mas o mundo é muito perverso. É por isso que entrei para o Partido Comunista - o que a gente quer é um lugar melhor. Além do trabalho, Niemeyer costuma receber jovens arquitetos que chegam de todas as partes do mundo para vê-lo. Em seu tempo livre, encontra-se com amigos para tomar uma garrafa de vinho, discutir política, ouvir MPB ou mesmo tocar um violão, apesar do leve tremor nas mãos. ‘Tem que viver plenamente, ter uma mulher e amigos do seu lado, mas ser modesto e sempre pensar nos que sofrem’, finaliza.
Confiram também a dica de Dane Carlson, em Design Is The New Entrepreneurship (Design É O Novo Empreendimento).


















Bruno Kaneoya on February 13th, 2006 at 7:08 am
Oi Cris.
essa aqui do Niemeyer foi demais!
Bom, eu já venho falando no meu blog que o design é a solução para muita coisa.
Apesar da propaganda que eu faço, ainda não sou rico.
É, todo profissional precisa, além do talento, daquela oportunidade.
Beijos e boa semana