Férias e Você Trabalhando?

January 2, 2006 by Cris Zimermann | 0 Comments
In Estilo de Vida Empreendedor, Para Pensar

Relaxar ou receber 4.000 e-mails?

Executivos que tiravam férias podiam realmente ‘ficar longe de tudo’. Os equipamentos de escritório eram grandes demais para serem carregados e as pessoas não costumavam dar o número do telefone do hotel para todos. Hoje não é mais assim. Seu escritório pode caber em um laptop e todos os clientes e contatos têm o número do seu celular.

A tecnologia mudou nosso conceito de férias. Com conexões para transferência de dados tão onipresentes nos quartos de hotel quanto a cafeteira elétrica, até mesmo nos locais mais remotos, a idéia de ‘deixar o escritório para trás’ parece antiquada. Isso poderia ter sido relevante para as gerações anteriores, mas não para os trabalhadores da era do conhecimento, que se consideram indispensáveis no escritório e contam com a tecnologia para assegurar sua presença contínua no trabalho, se não física, ao menos virtual.

O culto à conectividade prevalece em suas férias?

O mundo dos dispositivos sem fio irá persegui-lo em todos os lugares, a menos que você faça um firme esforço para escapar ou, no mínimo, para controlar a situação. E mais, está surgindo um nicho de mercado para aqueles que rejeitam terminantemente a intrusão do trabalho no tempo livre das férias. Parece que as pessoas estão querendo pagar mais ‘só para dizer não’ ao ímpeto de se conectar.

O problema é que esse ímpeto é muito forte. ‘Por trás disso tudo está a forma de trabalho que se baseia nos projetos, ou seja, o funcionário passa a ser dono de alguma coisa relativamente complicada de administrar’, diz Peter Cappelli, diretor de RH da Wharton. ‘O senso geral, um tanto confuso, é que se as coisas não dão certo, elas precisam ser atualizadas. Então, se você é realmente dono de um projeto e se importa com seu andamento, não consegue se desligar quando sai de férias. Não há meios de reverter esse quadro se você quiser ser dono de um projeto’, acrescenta.

Férias muitas vezes são curtos escapes de fim-de-semana que tendem a ser anexados a uma viagem de negócios ou encaixados na confusão do dia-a-dia. Nesses casos, é imperativo para as pessoas ficarem em contato. Mas, mesmo nas férias de lazer — cruzeiros pelo Caribe ou passeios de bicicleta na Itália — o escritório continua exercendo uma atração poderosa. Por quê? Pela simples razão de que ninguém gosta de voltar ao escritório e encarar 4.000 e-mails.

Executivos que ‘querem ficar longe, mas não conseguem’, adoram quando encontram um cyber café ou descobrem que o hotel tem um business center que funciona 24 horas e não resistem à tentação de verificar seu correio eletrônico, correio de voz ou o que quer que seja.

Por outro lado, cresce cada vez mais o número de pessoas que ‘acham abominável ficar conectado’, bem como o nicho de mercado de viagens que explora esse sentimento. Existe uma tendência a fazer retiros, viagens espirituais, férias terapêuticas, em spas ou ilhas idílicas, como três semanas na ?ndia ou em um mosteiro ao norte da Califórnia, principalmente entre os nascidos após a Segunda Guerra Mundial (baby boomers). Somos uma sociedade viciada em trabalho, mas, ao mesmo tempo, observamos uma explosão de ioga, meditação e espiritualidade.

No entanto, há uma explosão igualmente vigorosa no setor hoteleiro no sentido de nos deixar ainda mais conectados. Não podemos escapar desse mundo. Entre em um quarto de hotel em Kuala Lumpur e verá que poderá ficar online imediatamente. É a realidade. Tudo depende de quão disciplinado você é.

É como tentar manter dois mundos na nossa cabeça. Nas férias, você tem que achar um ponto de equilíbrio, talvez passar 5% do seu tempo trabalhando e 95% não… Férias são muito mais relaxantes quando podemos entrar em contato com o escritório por cerca de meia hora apenas para me informar sobre o que está se passando por lá em vez de ter que enfrentar tudo ao voltar.

O problema não é a tecnologia em si, mas a natureza do trabalho que cria essa necessidade das pessoas se sentirem responsáveis como indivíduos, de estarem sempre em contato. A tecnologia facilita, mas não cria a demanda. A tecnologia só trabalha contra nós se consentirmos. E a maioria de nós consente. Ficamos conectados por livre escolha. Trata-se de uma dificuldade de delegar. Também parece ser um excesso de controle, uma necessidade de estar no controle o tempo todo. Não é um problema de tecnologia. E indica a necessidade de um profissional com boa saúde mental.

Sendo assim, qual sua opinião sobre a matéria:
Internet Pode Viciar e Se Tornar Problema Psiquiátrico?

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