
Marcos Roza
Transforme o voluntariado em práticas valorizadas no seu currículo e ganhe vantagem competitiva para negociar a primeira oportunidade.
Percebo no relacionamento cotidiano que tenho com jovens em busca de uma vaga (geralmente, a primeira de sua vida no mercado) uma atitude que, infelizmente, beira à delegação da responsabilidade pelo futuro deles. Atitude temerária para com as empresas que eventualmente tenham a vaga para eles. Ou mesmo para com as organizações que estivessem dispostas a lhes oferecer uma oportunidade.
O currículo de um jovem é, obviamente, uma série de experiências acadêmicas iniciais. Faculdade, colégio, cursos de língua, informática. Existem os que afirmam ter Inglês fluente por terem realizado um curso de 14 horas.
Nenhum currículo que eu li até hoje (e leio em média uns 25 novos por dia) aparece registrado qual foi o trabalho de fim de curso, o que o motivou, qual foi a avaliação conseguida e, principalmente, que tipo de experiência poderíamos aproveitar das conclusões do dito trabalho.
Fim de curso e início da vida
A razão, desconfio, é que nem mesmo o estudante acredita no trabalho de fim de curso que realizou. Fez por obrigação, de qualquer maneira, atrás de uma nota qualquer para ficar livre do que considera uma chatice e conseguir o diploma, que depois usará para tentar nos convencer que está qualificado para o mercado.
Acham, infelizmente, que o mercado, ou seja, o conjunto de agentes econômicos agindo há séculos, com necessidades bem refinadas e testadas mês a mês, tem menos sabedoria que eles.
Outros currículos chegam com discursos que beiram atitudes políticas irresponsáveis. Verdadeiro estelionato eleitoral.
‘Tenho certeza que farei a diferença na sua empresa’.
Outros confessam a preguiça e a delegação de responsabilidade pelo próprio destino. ‘Sou jovem, tenho 25 anos, nunca trabalhei, mas só preciso que sua organização me dê uma oportunidade para provar o meu valor, já que aprendo tudo muito rápido’. Rápido, mal e porcamente, deixa a porta para nossa conclusão.
Julgam todos nós aqui no mercado como ingênuos. Acreditam, piamente, que as empresas e as organizações são a continuidade da escola. Esquecem-se, talvez por falta de alguém para falar a eles o que tento neste texto, que se espera deles, principalmente, por serem jovens, pelo menos uma visão diferenciada de determinada prática adotada no mercado.
Se têm como diferencial serem jovens, pois bem, que troquem idéias com seus colegas, verifiquem as novas tendências de consumo, que busquem os modismos ainda não percebidos pelo mercado, que tragam qualquer sugestão com a própria marca e ousadia para ser avaliada.
Em vez disso, só esbarro em meias verdades, algumas mentiras gritantes e um pedido irresponsável de ajuda.
Na grande maioria dos jovens que me enviam emails pedindo para ajudá-los a melhorar o currículo para ‘aumentar a chance de conseguir uma vaga’ percebo uma tentativa infrutífera (já que nem respondo nesses casos) de dividir comigo uma maneira de maquiar suas habilidades toscas, com cursos concluídos sem grande motivação, com um texto que aposta na grandiloqüência.
Nos rapazes e moças que percebo seriedade sugiro sempre que invistam na simplicidade, que se mostrem convictos de mudar a própria vida e, só por isso, se tornarão profissionais interessantes.
Na grande maioria dos currículos falta uma referência a trabalhos voluntários. Seja durante a faculdade ou o secundário. São homens e mulheres, moças e moços, que dão a impressão de terem vegetado entre a escola e o lazer, repetidamente, ao longo de oito ou dez anos.
Enquanto isso, o Brasil em reconstrução precisa da cultura que esses jovens acumularam. Creches e asilos precisam de sua ajuda voluntária, assim como associações de moradores, igrejas e clubes.
Basta uma visita ao site voluntários para a gente descobrir que ‘54% dos jovens no Brasil querem ser voluntários, mas não sabem como começar’.
Se eu puder ajudar, sugiro que comecem a incluir as práticas voluntárias na própria vida. Seja para ter a satisfação de ajudar o próximo. Seja, principalmente, para adotar uma prática e uma intervenção na vida que se refletirá, positivamente, na futura negociação de uma vaga ou oportunidade.















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