Como Agarrar Um Milionário

December 22, 2005 by Cris Zimermann | 0 Comments
In Estilo de Vida Empreendedor

Traçar um perfil de consumo e investimentos dos milionários brasileiros é mais difícil do que acredita quem se propõe a fazê-lo. As informações são dispersas, não há pesquisas específicas, apenas constatações gerais feitas por consultores e administradores de recursos financeiros.

Sobre o consumo, o que se afirma é que as pessoas reconhecidas como verdadeiros milionários - aquelas que na classificação da Merrill Lynch possuem ativos financeiros acima de US$ 5 milhões - são muito discretas sobre sua condição. Dificilmente seriam encontrados nos corredores da Daslu, a loja mais luxuosa do Brasil.

O verdadeiro milionário não é perdulário, dá valor ao dinheiro. São donos de grandes e tradicionais fortunas que vêm sendo mantidas ao longo de inúmeras gerações’, diz René A. Werner, autor do livro ‘Família & Negócios - Um Caminho para o Sucesso’.

Com raras exceções, são pessoas acima de 50 anos, com mais experiência de vida e por isso mesmo menos propensas ao exibicionismo. Mais afeitos ao consumo são os chamados novos ricos, aqueles cujas fortunas foram construídas recentemente, nos últimos 15 a 20 anos - donos de ativos de US$ 1 milhão a US$ 5 milhões. Em geral, são profissionais liberais ou pessoas que ganharam dinheiro com negócios em setores ascendentes da economia, como agronegócio e tecnologia, observa Werner.

Dada a natureza de suas fortunas, os novos ricos têm menor necessidade de investir em ativos de produção. Têm patrimônio menor, mas são pessoas mais ‘líquidas’, expressão corrente no mercado de capitais, que nesse caso significa que têm mais dinheiro na mão.

Sobre os investimentos, os grandes milionários e os novos ricos não diferem muito. Ambos seguem o lema número um do manual do investidor: nunca colocar todos os ovos no mesmo cesto, ou seja seus investimentos são diversificados. Além disso, exigem um nível de privacidade acima de qualquer suspeita.

Entre os investimentos preferidos estão ativos reais, como imóveis de alto luxo - ativos que eles acreditam ter mais solidez que o mercado financeiro. Entre os ativos financeiros preferem a renda fixa às aplicações em ações, sobretudo os milionários que são menos afeitos ao risco.

Isso se explica em parte pela alta taxa de juros do País (a taxa básica da economia está em 19, 75% ao ano, uma das maiores do mundo), afirmam consultores de family office - como são chamados os escritórios voltados para a administração da fortuna particular da família, separada da empresarial.

A elevada taxa de juros brasileira também está ligada à preferência dos milionários e novos ricos em manter grande parte da fortuna investida. Mas, a busca pela segurança sempre acaba levando essas pessoas a também procurarem aplicações em ativos em moeda forte. Dado o enfraquecimento do dólar mundialmente, na hora de aplicar no exterior, ricos e milionários têm dado preferência as cestas de moedas, euro e dólar, por exemplo.

Ao contrário do que seria de se esperar, os milionários não estão concentrados em São Paulo, o estado mais rico da federação. Na visão dos family offices, o tempo em que tudo acontecia em São Paulo já passou; hoje o País é formado por diversos pólos econômicos, com vasta produção de riqueza.

Outra constatação de quem lida com a riqueza é que o Brasil ainda é um centro de produção real de fortunas ao contrário da Europa, onde elas já estão consolidadas. Aqui ainda há um número grande de empresas familiares, que aumentam o potencial de novas fortunas pessoais.

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