
Vittorio Medioli
A carta de Alexandra de Belo Horizonte fecha-se com uma constatação cruel: ‘Quando eu era vendedora de loja antes de me formar, ganhava muito mais e podia me dar de presente alguns luxos. Tinha cartão de crédito. Para que serve esse diploma? Parece que regredi ao invés de ir para frente’.
Alexandra decidiu ‘desabafar’ relatando a injustiça de que é vítima. Formou-se em administração de empresas, confessa que investiu tudo que tinha para conseguir o diploma – com muito esforço, com imenso sacrifício economizando o que podia, pensando que o diploma mudaria sua vida para melhor.
Mas confessa, agora ‘nem conta de celular consigo manter em dia’. Quanto mais pensar ‘em viajar, comprar um livro, presentear os amigos que se casam, tomar um vinho, pagar um plano de saúde, ir ao cinema ou até mesmo a uma videolocadora…’, nada daquilo que o diploma superior ‘deveria’ lhe conceder.
Não fosse pela ajuda do namorado, estaria em péssimos lençóis. O melhor que encontrou como ‘administradora formada’ foi um emprego de R$ 350 por mês que lhe exige rebolar numa pequena prestadora de serviços da região metropolitana, ainda sem perspectiva de crescimento profissional.
Ela, no fim da carta, se emociona e consegue me emocionar. Penso nela, na complexidade do ser humano, nos planos frustrados, no potencial que se consome por falta de oportunidade. Acabo mordido pela impotência, pelo nó na garganta, pela falta de uma saída, pela ferrugem que ataca a confiança.
Suas palavras me remetem aos sonhos (que um dia foram também meus), à juventude, ao vigor e à beleza da mulher que dificilmente encontrará melhores oportunidades em idade mais avançada. Percebo o desafio de compor profissão e maternidade, de se sentir emancipada.
Pede-me um conselho.
Alexandra, esqueça os valores formais e se concentre nos seus valores pessoais. Volte à vendedora e seja uma excelente vendedora, em breve passará a gerente de vendas, em seguida a diretora, alguém descobrirá que você tem um diploma e a convidará para administrar empresas, mas já será dona de uma cadeia de lojas em todo o país (se você assim quiser).
E não esqueça: o Brasil é lugar que excita sonhos mirabolantes que servem apenas de anestesia enquanto lhe são aplicados tributos estúpidos, juros absurdos e burocracia pestilencial. Ainda existe a politicagem, própria de quem se locupleta com ela.
Assim os valores vendidos em bandejas de prata aos estudantes não possuem lastro. Apenas quimeras, castelos de areia. Para cada dez formados hoje, o Brasil produz um emprego qualificado. Alguns jovens engenheiros fogem para fora, preferem entregar pizzas em Miami ou Boston.
Alexandra, esqueça o diploma! O Brasil é governado por quem tem apenas o ensino fundamental!
Cultive a sabedoria. Tenha fé em Deus e em você mesma. Leia de tudo, leia muito. Tome as boas e grandes personalidades como exemplo de vida. Faça a cada momento o que de melhor pode fazer. Seja carinhosa mesmo quando tudo parece perdido. E não esqueça: a Justiça Divina que enxerga você é a mesma que enxerga uma rainha.
* Quem é Alexandra???


















No comments yet.