Cachaça e Caipirinha

November 21, 2005 by Cris Zimermann | 0 Comments
In Celebridades do Brasil, Promoções, Dicas, Made in Brasil, DNA Brasil, Curiosidades, Estilo de Vida Empreendedor, Hot, Mad or What?


A cachaça brasileira nunca foi tão falada no exterior e isso não tem nada a ver com Larry Rohter e a polêmica matéria publicada no New York Times sobre os supostos hábitos etílicos do presidente Lula. A mais brasileira das bebidas está conquistando consumidores na Europa, Estados Unidos e até Austrália e Nova Zelândia. Nesses países, nossa branquinha tem o status de bebida descolada e chique. Em Manhattan, é comum encontrar nas mesas de executivos em ascensão drinques à base de cachaça, como a imbatível caipirinha. Aliás, a mistura brasileira de cachaça, açúcar e limão já é um dos dez coquetéis mais famosos do mundo e está na lista da revista inglesa Drinks International, bíblia dos produtores de bebidas.

A revista In Style também elegeu a caipirinha ‘a mistura mais quente’ do século. No evento Brasil 40º, que encheu a loja de departamentos Selfridges & Co., em Londres, de produtos brasileiros, novo êxito: a cachaça roubou a cena e conquistou os ingleses. E na festa promovida por brasileiros em Cannes, mais de 200 garrafas da bebida foram consumidas. O cineasta Joel Coen foi um dos mais empolgados com a caipirinha.

Fãs famosos do drink, aliás, não faltam. Gisele Bündchen diz que é o seu preferido - e dizem que foi regado a caipirinhas o primeiro encontro dela com o namorado Leonardo DiCaprio. O presidente George Bush provou e gostou. John Kerry idem: ele e a mulher Teresa Heinz se conheceram no Rio na Eco 92 - e beberam caipirinha no primeiro encontro.

De olho na tendência, cada vez mais empresários exportam a bebida brasileira. Marcos Moraes, que fez fortuna na internet e hoje tem negócios que vão da moda ao mercado editorial, é um deles. ‘A vodca é o destilado mais consumido no mundo. São vendidos 4 bilhões de litros, metade disso fora da Rússia. No Brasil são produzidos mais de 1 bilhão de litros de cachaça, mas menos de 1% é exportado. Recentemente fui a Praga, na República Checa, e encontrei caipirinha feita com rum, um horror. Ou seja, há um grande mercado lá fora‘, diz ele, que exporta a cachaça Sagatiba para a Europa.

Para exportar, é fundamental oferecer um produto de qualidade. O mercado internacional é muito mais exigente que o nacional. Não dá para ir para o exterior com a mesma imagem.

No Brasil já existe o especialista em cachaça, o cachacier, variação da palavra francesa sommelier, que designa o expert em vinhos. O trabalho de valorização da bebida no exterior ganhou força em 97, com o Programa Brasileiro de Desenvolvimento da Cachaça (PBDAC), que reuniu produtores que queriam mudar a imagem da cachaça no Brasil e divulgá-lo no exterior. Em 2001, um decreto assinado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso definiu: ‘O uso das expressões ‘cachaça’, ‘Brasil’ e ‘cachaça do Brasil’ é restrito aos produtores estabelecidos no País.’ O objetivo da medida foi preservar o produto nacional para ampliar as exportações. Agora falta valorizarmos o produto no Brasil. Fazer a cachaça ganhar status, desvinculando da imagem de ‘bebida de pobre’. A mesma coisa que se fez com a tequila no México. Ser cachaceiro, pelo visto, ainda vai ser coisa muito fina.

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