Mico nos Negócios

November 14, 2005 by Cris Zimermann | 0 Comments
In Brasil Asiático: Verde x Amarelo, Educação e Cultura

No País do ‘jeitinho’, dizem que os problemas podem ser resolvidos com uma risada e um gracejo. Se antes os empresários brasileiros não precisavam se preocupar com os perigos de cometer uma gafe internacional, ao entrarem na arena global, perceberam que a cultura da informalidade nem sempre funciona lá fora. Um mico aqui e outro ali é normal, mas noções de cross culture (ou troca de conhecimentos culturais) são vitais para evitar constrangimentos num campo minado para executivos inexperientes ou desatentos. Vale também pesquisar sobre o interlocutor e seu background cultural antes de uma reunião. Falar demais, excesso de informalidade e falta de discrição são erros fatais para quem almeja postos de destaque em multinacionais, principalmente se o futuro patrão é um estrangeiro.

É preciso respeitar costumes. Por exemplo, os chineses são obcecados com o cumprimento de protocolos e dão muita atenção a pequenos detalhes. Entregar cartões comerciais com as duas mãos é visto como uma forma de expressar credibilidade e confiança. Se um executivo estrangeiro entregar seu cartão com uma única mão ou largá-lo em cima da mesa, estará correndo o risco de transformar o encontro em um fiasco. Banquetes comerciais são levados muito a sério e a distribuição de assentos para anfitriões e visitantes segue uma hierarquia bem definida. Quem ocupar a cadeira errada pode ser convidado a se retirar. Além disso, os chineses têm o costume de oferecer cabeças de peixe para os convidados mais importantes – e recusar essa desagradável honraria é uma ofensa gravíssima. Na maioria das vezes, eles não demonstram estar irritados com os deslizes dos convidados, continuam sorrindo e conversando; porém, já estão preparando o troco contra o autor da gafe. Deixarão de responder e-mails , não atenderão telefonemas, enviarão subalternos para os próximos encontros e cancelarão acordos sem maiores explicações. Na China, até a vingança é uma arte sutil.

Portanto, presença de espírito é sempre importante, mas nunca suficiente. Quem tentar resolver tudo na base do samba pode acabar confundindo descontração com descaso. Fique atento!

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